Tiroteios em Roterdão. Autoridades já tinham alertado para o "comportamento psicótico" do suspeito

As autoridades holandesas já tinham alertado o Hospital de Roterdão para o “comportamento psicótico” do estudante de medicina que está a ser acusado de matar três pessoas durante um tiroteio, na quinta-feira.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Piroschka van de Wouw - Reuters

Um dia depois dos tiroteios em Roterdão, nos Países Baixos, que vitimaram três pessoas, o diretor do centro médico da Universidade Erasmus, onde ocorreu o segundo tiroteio, revelou que o Ministério Público já tinha alertado o hospital para o “comportamento psicótico” do atirador.

Numa carta enviada ao hospital no início do ano, as autoridades holandesas afirmavam que o suspeito de 32 anos, aluno naquele centro médico, mostrava um “comportamento preocupante” e “psicótico” que poderia influenciar a possibilidade de o hospital lhe conceder um diploma médico.


No e-mail, as autoridades descreviam que o suspeito foi encontrado um dia semi-nu no jardim de sua casa e guardava no seu telemóvel imagens de pessoas a serem esfaqueadas, juntamente com propaganda de extrema-direita. O homem apresentava também problemas de alcoolismo e tinha sido processado e condenado por maus-tratos a animais em 2021.

“Presumo que as informações acima contribuirão para a decisão sobre se a pessoa em questão deve ser elegível para um diploma de médico”, dizia a carta.

O diretor do Hospital, Stefan Sleijfer, disse que o aluno tinha passado em todos os exames necessários para exercer medicina, mas o hospital ordenou a realização de um exame psiquiátrico após ter recebido o email do Ministério Público.

A avaliação psicológica do aluno estava em curso, pelo que o suspeito dos tiroteios desta quinta-feira ainda não tinha recebido o diploma médico que lhe permitisse exercer a profissão.

O próprio suspeito partilhou o email num grupo online e afirmou que professores o “sabotaram”.


Um dos residentes do prédio onde ocorreu o primeiro tiroteio disse à BBC que a família que vivia ao lado do suspeito denunciou-o por várias vezes à polícia.

“Uma vez ele atirou um coelho morto para o jardim deles”, disse o jovem de 20 anos. “Eles [a polícia] tiveram tantas oportunidades para o expulsar. Isto é habitação social, ele deveria ter sido despejado há muito tempo”, defendeu.

O suspeito, agora sob custódia, invadiu a casa do seu vizinho na quinta-feira, matando uma mulher de 39 anos e ferindo gravemente a sua filha de 14 anos, que acabou por morrer devido aos ferimentos.

O homem ateou fogo à casa e seguiu para o centro médico da Universidade Erasmus, onde ocorreu o segundo tiroteio. O suspeito invadiu uma sala de aula e matou um professor de 43 anos. De seguida, ateou fogo ao prédio, instalando o pânico no hospital, à medida que os profissionais de saúde tentavam retirar os pacientes do edifício.

O atirador foi detido próximo do hospital e deverá ser presente a um juiz na próxima terça-feira. A polícia diz que os motivos dos tiroteios são ainda desconhecidos.

c/agências
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